Voyager Golden Record: a mensagem mais completa enviada para o espaço
Até hoje, o disco embarcado nas sondas Voyager 1 e 2 (lançadas ambas em 1977) consistiu na mensagem mais sofisticada já enviada ao espaço para potenciais civilizações alienígenas. Como as duas sondas tinham como rota final o espaço interestelar, abandonando completamente o Sistema Solar, a Nasa decidiu que seria uma boa oportunidade para deixar um recado sobre a existência humana, caso a nave espacial fosse encontrada por extraterrestres no futuro.
O maior defensor desta iniciativa foi o famoso astrónomo americano Carl Sagan (1934-1996), da Universidade Cornell, que coordenou os esforços para criar o conteúdo do que acabou por ficar conhecido por Golden Record (Gravação Dourada).
Nela, existem 115 imagens e uma coleção enorme de sons da natureza terrestre, como as de ondas, vento e trovão, pássaros, baleias e outros animais. Também foram incluídos trechos de músicas de diversas épocas e saudações faladas em 55 línguas humanas, que iam de acadiano, língua falada na Mesopotâmia há 5.000 anos atrás, a wu, um dialeto chinês moderno.
Na capa do disco, algumas informações simples de como lê-lo - possivelmente o manual de instruções mais universal já produzido.
No canto superior esquerdo, aparece um desenho facilmente reconhecível do disco e da agulha transportada junto com ele. Ela aparece posicionada na posição correta para começar a tocar o disco.
Uma marcação inscrita ao redor dessa representação do disco indica, em notação binária, o tempo correcto de uma rotação do disco, 3,6 segundos, em termos de unidades de 0,7 bilionésimo de segundo - tempo associado a uma transição fundamental do átomo de hidrogénio, o mais comum em todo o Universo.
Logo abaixo, o disco aparece de perfil na figura, e uma notação indica o tempo para a conclusão da leitura de um dos lados da gravação, cerca de uma hora.
No canto superior direito, estão as instruções para que se torne possível reconstruir as imagens codificadas no disco. O primeiro desenho mostra o sinal típico que aparece no início de uma figura - codificada numa série de linhas verticais, como uma imagem de televisão (com a excepção de que, na televisão convencional, as linhas são horizontais). Essa informação aparece para os ETs a seguir, nos dois quadros abaixo. O último deles é uma representação da primeira imagem do disco, para que o alienígena saiba que fez tudo correctamente.
O desenho no canto inferior esquerdo revela a localização do Sol - a nossa localização. O Sistema Solar é o centro das linhas, e cada linha liga o Sol a um pulsar. No total, são 14 pulsares catalogados, e como esses objetos são fáceis de detectar, seria possível que os ETs usassem as suas posições para deduzir de onde somos.
Finalmente, no canto inferior direito, duas representações do átomo de hidrogénio nos seus estados menos energéticos, com uma linha ligando os dois e um dígito 1 para indicar o intervalo de tempo associado à transição de um estado para outro - essa é a explicação da escala de tempo usada para interpretar todos os outros números presentes na marcação, em código binário.