A principal substância que estimula os cientistas nas buscas por seres extraterrestres é a água, o líquido indispensável à vida, pelo menos para as condições vigentes na Terra. Qualquer evidência física de água líquida, num planeta, desperta a especulação de que não estamos sozinhos nesta imensidão cósmica. A monitorização do espaço, à procura de sinais de vida extraterrestre, deve ser intensificado nos planetas extra-solares, mesmo com sinais característicos não-naturais aos da Terra.
Há muita imaginação e oportunismo no campo da astronomia, com explicações razoáveis para imagens ou fenómenos estranhos que aparecem nos céus. A grande verdade é que a ciência nega tudo o que não consegue provar, mas há muitas evidências estranhas que precisam ser levadas em conta. Por outro lado, são inúmeros os factores que complicam as previsões para explicar como seriam as formas de vida noutros mundos. Imagina-se, apenas, que a composição química de outros planetas não deve possibilitar a formação de uma atmosfera capaz de manter seres metabolicamente diferentes, e, por causa disso, os cientistas procuram-no somente em condições análogas às da Terra. Aqui se inspira oxigénio e expira o dióxido de carbono, contidos numa atmosfera natural, na proporção de 21% e 0,03%, respectivamente. Ainda bem que Aristóteles estava errado quando disse que abaixo da Lua havia terra, fogo, água e ar - o ambiente das transformações -, e, que acima dela, somente existia o éter, a quinta substância. Hoje sabemos que o universo é automaticamente apto a formar muitos compostos que podem gerar vidas em ambientes adversos aos vividos pelos terráqueos. Se aqui já existem seres minúsculos que vivem e se multiplicam em lugares extremamente diversificados à vida humana, podemos prever que a vida primitiva, em qualquer lugar do cosmos, pode, gradativamente, através dos passos da evolução, tornar-se mais complexa, da mesma maneira como surgiu o ser humano e a belíssima natureza terrestre. Só que, encontrar seres diferenciados e evoluídos, dependerá da história ou da circunstância de cada planeta.
Os mais inteligentes sabem que de Hipócrates para cá, surgiram muitos hipócritas, criando-se o fundamentalismo científico, mas já se consegue responder a um punhado de questões que antes eram mitos, que causavam pavor.
O mundo dos sedentos de justiça espera que sejam encontrados vestígios e seres extraterrestres altamente evoluídos, em excelente grau de organização do bem-estar social, onde não haja hipocrisia, mercenarismo e corporativismo. Seria maravilhoso encontrar gente civilizada, ordeira, que ama a sua natureza, que a defende pelos seus actos de nobreza. Gente que não diga que o lucro e o progresso justificam os crimes ecológicos, para poluir a terra, a água e o ar, causando extinções de espécies e colocando em risco a sua própria existência. Enfim, haveremos de descobrir uma raça que nos dê exemplos de como viver em paz, em harmonia, sem precisar matar, corromper e explorar nossos semelhantes. Só que tal inteligência que se procura, esteja, talvez, numa dimensão que, por imperar o nosso egoísmo e a ignorância não temos méritos para alcançá-la no estado físico da matéria, mas sonhar é permitido.
Por João O. Salvador, biólogo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Brasil) |