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Terra: Oásis Turístico do Desconhecido
Desde os mais longínquos tempos da História, o medo por algo de superior ao Homem foi uma constante realidade. A todos os fenómenos a que o ser humano não estava capacitado a dar resposta eram considerados obra de um ser superior e divino, que passam a ser designados por 'deuses'. Nos dias de hoje, o ateísmo e o agnosticismo criaram os seus próprios deuses. Daqui se conclui que o medo é inerente ao Homem, pois resiste a todos os tipos de desenvolvimento. Nada até hoje o conseguiu derrotar. Mas sempre foi, paralelamente, desejo e esforço humano procurar respostas e explicações. Muitos dos fenómenos que hoje têm explicação natural, em épocas anteriores tinham explicações que fazem sorrir o Homem contemporâneo. É certo que ainda não se encontrou resposta para tudo, mas se algum dia isto vir a ser uma realidade a Ciência perderia a sua razão de ser.

Obviamente que não queremos fornecer a resposta derradeira, nem é esse o objectivo deste artigo, no entanto iremos apresentar alguns factos representativos no que se refere ao fenómeno OVNI e a possibilidade de vida extraterrestre, colocando à consideração do leitor uma conclusão pessoal.

Até ao momento, não consta que alguma vez se tenham encontrado naves espaciais, ou mesmo restos dos mesmos, o mesmo acontecendo com seres extraterrestres, ou parte deles, provenientes de outros planetas. Tudo o que se possa ter afirmado em contrário, do nosso ponto de vista, não passa de especulação, visto que não há qualquer prova.


A vida extraterrestre é uma incógnita para nós. Mas a sua existência poderá suscitar-nos problemas existenciais. Para que possam existir seres materiais extraterrestres, é indispensável que o planeta onde vivam possua certos requisitos: temperatura minimamente constante (não muito elevada, nem muito baixa); água no estado líquido; atmosfera com oxigénio; recursos naturais (alimentos, etc.). Isto segundo vários cientistas alegam.

Os planetas mais próximos de nós (na chamada "zona habitável"), Vénus e Marte, segundo o que sabemos até agora não possuem estas características vitais. Vénus tem uma temperatura de cerca de 400ºC e não tem água, enquanto que a temperatura média de Marte varia entre -23ºC e -25ºC e apenas possui água no estado sólido. Ambos têm atmosfera irrespirável, verifica-se total ausência de oxigénio.

Em Cosmos, Carl Sagan diz que Vénus possui uma temperatura que «rondam os 180ºC» e que tem uma «pressão atmosférica (...) com nuvens formadas principalmente por uma solução concentrada de ácido sulfúrico», «tão elevada que não podemos ver a [sua] superfície». O mesmo autor sugere que a temperatura de Marte possa ir «desde um pouco acima do ponto de congelação, ao meio-dia, até cerca de -80ºC, aquando do nascimento do Sol». Os restantes planetas do nosso sistema solar têm características ainda mais adversas à existência de vida, tal como a conhecemos. Por tudo isto, é de excluir a hipótese de que seres extraterrestres que alegadamente visitam a Terra, provenham do nosso sistema solar.

Imaginemos, por exemplo, que o nosso planeta estivesse mais próximo do Sol, ou mais afastado. A vida na Terra seria praticamente impossível. Todavia, existir vida não é o mesmo que existir vida inteligente. É curioso constatar que dos milhões de espécies que habitam no nosso planeta Terra, apenas uma é inteligente.


Excluída a possibilidade de existir vida inteligente no nosso sistema solar, podemos ainda procurá-la por milhões de outros sistemas. Sabemos que o nosso adorado Sol é apenas uma estrela banal de entre as milhares de milhões espalhadas por todo o Cosmos. Calcula-se, por exemplo, que a nossa galáxia, a Via Láctea, tenha cerca de 500 000 milhões de estrelas, e o Sol é uma delas. É certo que existem estrelas com muito mais massa do que o Sol, porém, em nenhuma delas foram detectados quaisquer sinais de vida. Muitos observatórios astronómicos, equipados com os melhores e mais potentes telescópios e radiotelescópios, "monitorizam" o espaço em busca de indícios de vida inteligente, por meio de ondas de rádio cósmicas. Infelizmente, até hoje, sem sucesso.

A 4,3 anos-luz (equivalente à distância percorrida pela luz durante 4,3 anos terrestres) encontra-se a constelação Alpha Centauri, a mais próxima de nós. Alfa, da constelação de Centauro, Alpha Centauri, é um sistema triplo, constituído por duas estrelas que giram em torno uma da outra e por uma terceira, Proxima Centauri, mais afastada destas duas. É difícil imaginar planetas a orbitar em torno de estrelas duplas ou triplas, o reduz a probabilidade de apresentarem condições propícias à vida (inteligente).

É extremamente difícil observar um planeta porque estes são demasiado pequenos, comparados com as estrelas e, para além disso, não possuem luz própria. Veja-se, por exemplo, que o Sol é 1 300 000 vezes maior que a Terra. De qualquer modo, a distância astronómica entre Alpha e a Terra exclui, por si mesma, a possibilidade de haver contactos directos. Note-se que a luz de Alpha Centauri, percorrendo a uma velocidade de 300 000 km por segundo, demora 4,3 anos a chegar à Terra. À mesma velocidade, a luz do Sol demora 8 minutos a chegar até nós, significando assim, que ao olharmos para ele vemo-lo como ele era 8 minutos antes. Viajando à velocidade da luz (o que julgamos ser impossível), os "homenzinhos verdes" levariam mais de quatro anos a chegar cá, e outros tantos de regresso.

Sabemos que a matéria não pode viajar à velocidade da luz, nem a tecnologia actual o permite. Na sua teoria da relatividade, Albert Einstein defende que, ao aproximarmo-nos da velocidade da luz, veríamos as imagens retardadas até que ficassem comprimidas na nossa frente. Isto é de tal forma estranho que sentiríamos o tempo a retardar-se (a dilatação do tempo). Mesmo assim, não significa que os nossos "observadores" tivessem as mesmas sensações que nós.

Por outro lado, há também de ter em conta a distância astronómica, as dificuldades resultantes da atracção dos corpos celestes, as abissais quantidades de energia e mantimentos necessários, a aceleração de arranque e desaceleração de aterragem, entre outros aspectos, que tal viagem galáctica implicaria. Mesmo viajando a um décimo da velocidade da luz (30 000 km/segundo), seriam precisos mais de 40 anos para chegar à estrela mais próxima. Partindo do princípio que seres extraterrestres visitam a Terra, justificam-se todas estas dificuldades apenas para que venham infligir torturas aos seres do nosso planeta? A própria Terra, para contrabalançar a atracção do Sol, desloca-se em torno deste a uma modesta velocidade de 30 km por segundo, demorando cerca de 8749 horas (um pouco menos de um ano) na sua trajectória completa em torno dele.

A Via Láctea tem um diâmetro de 100 000 anos-luz e o seu centro situa-se a 30 000 anos-luz do nosso sistema solar. Não será sensato, então, dizer que vêm até nós seres de "outras galáxias", pois já são tantas as dificuldades de deslocação desde a estrela mais próxima, que seria descabida uma viagem até outras galáxias.


As características atribuídas aos supostos seres extraterrestres não se conciliam com as de seres materiais. Já referimos que, por mais evoluídos que estes possam ser, não podem igualar a velocidade da luz, apesar do que deles dizem os seus supostos "videntes" ir mais além. Segundo estes "videntes", os referidos seres percorrem velocidades vertiginosas, em naves espaciais de forma arredondada (pouco aerodinâmica, repare-se), deslocando-se à velocidade do pensamento; têm luminosidade superior a tudo o que se possa encontrar na Terra. Sabem tudo: conhecem detalhadamente os seres a quem devem aparecer e analisar; sabem o passado, o presente e o futuro do nosso planeta e possuem tecnologias que ultrapassam a nossa imaginação; conseguem comunicar com os seus "videntes" mentalmente, sem transmitir palavras ou outro código comunicativo; entram com as portas fechadas; apenas "aparecem" a pessoas previamente escolhidas; não deixam provas das suas visitas; etc.

Quem tem alguma formação religiosa vê, imediatamente, nas características que enunciámos, qualidades de Deus (ou demónios) e dos «corpos gloriosos»: como Deus, os extraterrestres sabem tudo (i.e. são omniscientes); não demonstram dificuldades no que respeita ao espaço ou ao tempo; surgem cercados de luz e apenas a pessoas seleccionadas, tal como acontece nas aparições de Jesus, da Virgem Maria, de anjos ou santos; não deixam provas da sua presença, para que a "fé" neles seja um acto da livre vontade de cada um; etc.

O que acabámos de referir remete as "aparições" das naves espaciais tripuladas para o domínio mental dos seus supostos "videntes". Estamos, assim, perante casos de "estados alterados ou modificados de consciência" de pessoas que narram, normalmente sob hipnose, os seus sequestros levados a cabo por extraterrestres ou, na pior das hipóteses, perante puras invenções. Note-se, a propósito, que nem todos os casos de alegados "sequestros" tiveram [ainda] a devida explicação psiquiátrica, embora se espere encontrá-la, tal como tem acontecido com outros fenómenos.


Em relação aos Objectos Voadores Não Identificados (OVNI) que são vistos por muitas pessoas normais, convém salientar o seguinte: existem relatos de fenómenos [OVNI] vistos em diversas épocas, e não apenas desde 1947. Sabe-se, com efeito, que a atmosfera tem por vezes fenómenos estranhos, nem sempre compreendidos e correctamente interpretados, como são as "formações de plasma", que sugerem bolas de fogo que emitem ruídos estridentes e que reflectem as ondas de rádio, impedindo a comunicação por meio delas; a queda de meteoros, que se incendeiam em contacto com a atmosfera, a velocidades que chegam aos 72 Km por segundo; ou formações nebulosas, chamadas "autocúmulos lenticulares", que parecem discos voadores. Porém, nem todos os fenómenos estão explicados até ao momento, tarefa essa que cabe à Ciência descobrir.

São indiscutíveis os lucros obtidos por empresas cinematográficas, pela imprensa, pela televisão ou pela rádio, à custa da exploração do fenómeno OVNI. Também não são despiciendos os interesses turísticos gerados em torno dos lugares das supostas "aparições". Cidades como Roswell vivem do turismo que daqui resulta. Não é ingenuamente que este fenómeno tem as repercussões que se conhecem mas, pelo menos, tem o mérito de fazer com que a Ciência evolua, desafiando-a a encontrar explicações para fenómenos meramente terrestres.
15 Mar 2004 por Area5x.org

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